Domingo, 28 de Maio de 2006

Super-Homens

Onde estão os Super-Homens? Por onde andam eles disfarçados de jornalistas, tímidos e melancólicos, em busca de uma catástrofe à qual vão pôr cobro?

Quem são os Super-Homens dos nossos dias? Homens que admitem sentir tristeza, egoismo, inveja? Homens que admitem ser incapazes, intolerantes, mesquinhos?

O que querem de nós? O que exigimos do nosso corpo? Queremos e querem que sejamos dotados de polivalência, versatilidade, habilidades e competências que não sabemos gerir nem incrementar. Queremos e querem que nos dediquemos ao trabalho e à família, ao espírito e ao corpo, ao materialismo e aos segredos da mente, ao prazer e ao sofrimento, que sejamos modernos sem esquecer a tradição.

Somos mais Super que aquele outro da BD, dotado de poderes com que a ficção o favoreceu; estamos mais perto dos deuses, quanto mais nos ausentamos de nós em busca de um Ser Supremo.

 

publicado por Papel digital às 12:25

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Terça-feira, 23 de Maio de 2006

O que nos separa da máquina ...

Emparelhamentos cyborg fazem de nós mais máquinas do que homens? Estaremos sujeitos a perder a nossa humanidade? Somos hoje menos homens do que ontem?

Provavelmente o futuro da humanidade estava sujeito a este fatalismo (uso a palavra sem qualquer conotação negativa): o encontro entre o homem e a máquina estava marcado desde as primeiras invenções que lhe são atribuídas.

O Homo Sapiens é, também, Homo Faber. Fabricámos extensões para nos auxiliarem a viver e, seja qual for o destino traçado neste percurso de milhões de anos, já não podemos subsistir sem as máquinas. São elas que nos extendem a memória e os sentidos, nos elevam a velocidade, nos incrementam a força, nos proporcionam destreza, nos encurtam as distâncias, nos poupam tempo e nos permitem o acesso à informação em directo.

Repensar o nosso lugar no Universo, procurar alcançar o Cosmos no Caos de uma revolução (à qual começámos por chamar Industrial), reinventar a nossa humanidade, teorizar uma nova fenomenologia da consciência são, a limite, as nossas necessidades mais permentes.

A técnica não é o substituto de um Deus criador, nem a redenção das nossas faltas enquanto homens, mas não conseguimos eliminar nela uma espécie de misticismo latente que nos envolve e seduz e que alimenta o nosso imaginário. É neste imaginário simbólico, que entretece a rede do pensamento, que reside a nossa condição humana. É este imaginário que alimenta a nossa inteligência e revela os nossos afectos e nos torna tão diferentes das nossas criações.

Este é o objectivo deste blog: repensar a nossa humanidade, fazer surgir o criador por detrás da máquina criada.

 

publicado por Papel digital às 16:16

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Segunda-feira, 22 de Maio de 2006

O Corpo Opaco

Vivemos numa época em que, cada vez mais, o corpo se omite das suas funções. Não das suas funções biológicas, claro está, mas da sua materialidade.

Desaparecemos por detrás de um ecrã, criamos extensões do nosso corpo em teclados e fabricamos novas identidades. Somos heróis sem suor e sem lágrimas, heróis que se fazem sentados, cujos louros são a glória de um recorde batido em números, sem aplausos da multidão.

Ancoramos o nosso corpo de carne em vários corpos que habitam um mundo simulado. Reinventamo-nos à distância de um clique. Estamos livres de nós e das fronteiras da nossa pele. Adquirimos o dom da ubiquidade e ultrapassamos a condição de mortais. Somos deuses a quem ninguém presta homenagem.

Em rede, colonizamos os cérebros uns dos outros, abrimos fronteiras em espaços virtuais, não-lugares povoados de hiper-realidade...

 

publicado por Papel digital às 11:16

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